quarta-feira, 2 de janeiro de 2013


Depois de uns dias de folga, voltei a trabalhar hoje e não conseguia parar de repetir: putz, já é janeiro. Dezembro chegou e passou feito brisa, tamanha a expectativa que eu tinha sobre ele. O clima de férias começou com um jantar de Natal que eu fiz em casa pras amigas daqui de Bussum. Fiz comida bonitinha, petiscos, uma finesse! E o mais engraçado é que eu estava trabalhando nesse dia: as crianças dormiam no andar de cima, enquanto a gente se empanturrava lá embaixo.

O convidado especial da noite foi o Lucas - não o meu pequeno, mas o namorado. E, como sempre, ele ganhou todos os corações possíveis. Acho que gastei quase um mês para conseguir que o Lucas (pequeno) me desse um pedacinho do abacaxi que ele comia, ou me desse beijo de boa noite, coisas assim. O Groot-Lucas (Lucas-Grande, como a gente ensinou o pequeno a chamar!), em compensação, já chegou na intimidade, ganhando comidinha na boca e tudo mais. Foi amor a primeira vista e os dois agora são melhores amigos.

Depois de experimentar um pouquinho da minha vida de au pair (já que ele trabalhou arduamente comigo durante o tempo que esteve aqui), eu e o Lucas fomos pra Berlim. A primeira coisa que eu disse quando voltei de lá foi que eu já queria voltar. Minhas amigas fizeram piada, dizendo que eu disse a mesma coisa de Paris. Mas não dá pra ser diferente...

Bom, o ponto negativo da viagem foi o Natal. Não pela data em si, mas pelos feriados (na Alemanha, é feriado de Natal nos dias 24 e 26 - aqui na Holanda, dias 25 e 26) que fecharam tudo na cidade. TUDO, Brasil. Essa Europa tem disso, não existe essa de cidade que nunca dorme, feito São Paulo ou NY. Em compensação, tirando esse detalhe de a ceia ter sido um kebab de rua, foi maravilhoso.

Berlim borbulha história. Cada esquina é uma página daquele teu livro do ensino médio, que você não deu bola direito e de repente faria tudo pra lembrar dos detalhes. Holocausto e Guerra Fria são só nomes próprios pra um sentimento que não tem nome. Caminhar pelo Campo de Concentração de Sachsenhausen é de embrulhar o estômago, é um calafrio na alma. Sem dúvidas, a energia mais sinistra que já senti na vida. E é impressionante a força da reintegração de uma cidade dividida por um muro, que era concreto, mas, mais ainda, moral.

Berlim é um redescobrir-se constante - entre os blocos do Memorial do Holocausto, entre os restos do Muro, nas cervejas, nas esquinas pouco iluminadas, nos homenzinhos do semáforo, nas conversa de quartos de hotel.

Voltei pra passar o Reveillon em casa, na Holanda, mas novamente em boa companhia. E devo dizer, que foi só o que salvou. Tive dias ótimos e fiz o que quase nunca faço, que é turistar de fato em Amsterdam, mas a "virada" em si foi o caos. Me avisaram antes e agora me sinto na obrigação de passar o aviso pra frente: não existe Amsterdam de verdade no Reveillon. A cidade se transformou no inferno na terra, com todos os seus males acentuados e jogados na nossa cara como se fosse um filme em 3D. As lojas fecham, os trens param, não tem festa pública (como a gente encontra em toda e qualquer cidadezinha do Brasil), os fogos são mixurucas, as festas e pubs ficam super caros e o frio e a chuva não sabem respeitar sequer os primeiros minutos do ano que começa.

Teria sido mais uma das minhas tragédias cômicas na Europa, se eu não tivesse um abraço-amigo pra fazer a contagem regressiva e estourar um champagne em plena Damrak à meia noite. Salve, Gabriel! Por ter sido o tempo todo uma excelente companhia e um exemplo da calma que eu preciso aprender a ter.

Outro fato interessante desses últimos dias foi a brasilidade. Berlim e Amsterdam explodiam em brasileiros - a cada museu, a cada sussurro, a cada rua atravessada. E a brasilidade, ah... a brasilidade salta sobre os nossos ombros. É impossível não conversar, não ficar amigo num segundo, não descobrir a vida toda do outro no segundo seguinte, não sorrir de ouvir a língua materna, não sentir esse sorriso interno que só a gente tem.

A chuva, que não deixou nem uma pontinha de mim à seco, levou com ela o 2012. E dessa vez, não tive o que pedir pro ano que entrou. Quero só agradecer. E quero a surpresa do dia-a-dia, como me tem sido ensinado por aqui - nesse ano laranja que começou não em primeiro de janeiro doismiletreze, mas em vinte de outubro de doismiledoze.

6 comentários:

Arthur disse...

:)

Bom restinho de ano laranja pra você!

beijo!

eerst!

luandinha =) disse...

essa é exatamente a imagem que tenho de berlim, vejamos quando eu visitar hehe
e vejo o reveillon em amsterdam da mesma forma que o vejo na times square: programa de índio! depois de ter umas viradas esquisitas eu me contento com uma social em casa, comidinha boa, amigos (ou pelo menos conhecidos, se tiver brasileiros também ajuda...) e praia... mas n se pode ter tudo né haha feliz ano novo. bjs

Laysa disse...

Yeay! January already, it's great isn't it? I can't wait the summer comes back :p I can't stand this cold anymore! I'm glad you enjoyed your time in paris and berlin, I'm sure you and lucas had a great time travelling around! I hope your next months will be as nice and the past ones were! big kisses and happy new year!

Luiza Leao disse...

Deh, eh tao bom ler voce!
brasileiros..ah sim, brasileiros em todas partes. isso parece ser algo de todos os lugares do mundo..mas eh bom de ouvir. matar a saudade. no mais Deh, que seu ano continue sendo lindamente laranja!

Ana Luiza Cruz Ribeiro disse...

ai, nunca sei o que comentar!
sempre acho que meus comentários são probres quando comparados com o que você escreve! sempre lindo, sempre bom ler sobre você friend!

Lucas Garcia disse...

"um exemplo da calma que eu preciso aprender a ter", uma das melhores descrições já feitas pro Amigo!

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