sexta-feira, 5 de julho de 2013

Um lugar é feito de pessoas. Não tem o que me faça acreditar que a gente possa ser feliz sozinho. A minha grande sorte, em todas as minhas andanças, foi que estive sempre bem acompanhada. Talvez por isso cada lugar me tenha sido tão importante, de formas diferentes. Não adianta me perguntarem, não consigo escolher um destino preferido. Mas confesso que a última viagem vai ficar pra sempre num lugar quentinho do meu coração. Passei uma semana de férias, dividas entre Londres e Lisboa, com as melhores e mais antigas amigas que eu trago comigo. Se fosse pra definir em uma palavra, eu diria: surreal.

Entrei na viagem quando a Nana e a Nath, e um casal de tios mais que querido (salve, Rose e Daniel!), pousaram em Amsterdam - com a presença ilustre do meu ex-francês favorito, o namorado. Pude mostrar pra eles um pouquinho dessa minha nova terra, e foi então que percebi quão bairrista eu já sou com a Holanda. Quanto apreço eu tenho por esse lugar! Que alegria é dividir cada detalhe, cada sabor, cada gotinha dutch que já há em mim. Daqui, fomos pra Londres que - poxa! Era nosso sonho de infância, com toda aquela coisa de Harry Potter, Spice Girls e sabe-se-lá mais o quê que se passava no meu imaginário infantil. Mas foi muito mais que qualquer uma dessas coisas. Londres é um "cidadão", uma cidade frenética com o transporte público mais maluco que já vi na vida, aquele sotaque, todo o glamour da realeza, museus incríveis e gratuitos, comida e programas culturais de me tirar o fôlego. É como São Paulo, só que na Europa. E como São Paulo, eu tenho a sensação de que seriam necessários muitos outros dias pra que eu pudesse dizer que conheço alguma coisa. Antes que eu me desse conta, fomos pra Lisboa - e aí foi a vez da Nath dividir a vida dela com a gente, já que ela morou por seis meses lá, há dois anos. Que a cara do Brasil! Estar em Lisboa me explicou tanta coisa dos livros de História, tanto traço da nossa gente. Fiquei abobalhada em falar e ser entendida em português, em sentir calor novamente, em me empanturrar de comida de verdade de manhã, de tarde e de noite. O povo é caloroso como o nosso, a cidade é uma mistura de Rio de Janeiro e Salvador e, pra melhorar, é tudo barato! (Pra compensar a facada que são os pounds londrinos.)

As meninas são minhas amigas desde a infância, de verdade. Desde os dez, onze anos de idade. E isso diz muita coisa, por si só. Ter amigos de longa data proporciona um sentimento encantador de pertencimento. Você sabe exatamente onde está pisando e sabe que aquela pessoa vai saber o que quer dizer a sua cara de ódio ou de deslumbramento. E, no nosso caso, era quase sempre deslumbramento. Me despedi de todos eles com o coração na mão. Que vontade de ficar mais um pouquinho! Ou de voltar nas malas deles, ou de obrigá-los a ficar mais tempo comigo. Nunca um trajeto para um aeroporto me foi tão longo quanto aquele. Deixei parte do meu sorriso de bagagem extra pra voltar pra casa com elas.

E aí, como se já não fosse suficiente, julho chegou. O mês que eu menos queria que viesse. Porque as longas amizades podem ser pertencimento, mas as novas são redescobrimento. E a minha Holanda não teria sido a melhor de todas se não fosse a sorte que eu dei em ter uma host family incrível, mas, principalmente, amigas que fizeram cada um dos meus dias muito melhores.

Antes mesmo de chegar aqui, eu escolhi aleatoriamente algumas meninas também au pairs para tirar dúvidas e puxar papo no facebook. Quando eu cheguei, descobri que a Fabi era muito mais doce e divertida do que a menina que me fez mil encomendas antes mesmo de me conhecer; que a Talita era muito mais forte e abraçável (hehe..) do que a menina que dividiu comigo a ansiedade pelo embarque; e que a Lê, bem, ela não era só a menina que me salvou a pele ao me impedir de vir com a CI, mas a minha outra metade curitibana, a nova melhor amiga que estava guardada pra mim. 

Amanhã a Fabi se casa, no domingo a Talita vai embora, e na quinta a Fabi também. A Lelê fica mais um pouquinho (graçasaobomdeus!), mas vai se aventurar na Espanha por duas semanas e - pela primeira vez em quase nove meses - eu vou ficar sem nenhuma delas em Bussum. E não é que essa "solidão" me amedronte, mas sim a noção de como as nossas vidas vão pra rumos diferentes a partir de agora. 

E aí eu vou carregar comigo os pedacinhos delas, as histórias que vivemos juntas, as risadas sem fim, os piqueniques no chão da casa da Lê, os cafés na Hema. Vou levá-las na minha bagagem, assim como trouxe comigo tanto de tantos outros amigos incríveis. Minha vida não teria cor nenhuma sem vocês.


4 comentários:

Ana Luiza Cruz Ribeiro disse...

Quase que eu choro de novo! Sua linda ;*

Nathalia Koslyk Pontes disse...

Ai Deh, que capacidade de traduzir sentimentos. Foi mesmo maravilhosa a viagem,e e eu tenho certeza que parte do nosso sorriso também está dormente esperando seu regresso. Quanto às amigas holandesas: o que a gente atrai é reflexo de quem somos. Sendo assim, sinto informar ao seu saudoso coração, mas você sempre vai encontrar flores pelo caminho.

Thamy Gibson disse...

chorei! kkkkkkkkkkkkkkkk

own déborah, meu coração até apertou por você agora! mas não de tristeza, é um sentimento que eu não sei explicar. fico feliz de saber que você fez tantas amigas maravilhosas aí (e olhando as fotos do face e do blog, etc, eu realmente vejo essa delicadeza e meiguice no rosto da Fabi, vejo a força que você diz na Talita e na Letícia eu vejo uma maluquinha... sei lá se estou falando bobeira, mas essa é a impressão que elas me passam nas fotos), mas ao mesmo tempo, fico meio pra baixo de ver que, por mais que a gente queira prolongar certos momentos, a vida segue... (e eu sei que o fato da vida seguir não é uma coisa ruim... é só porque dói quando a gente deixa algo que a gente aprendeu a amar pra trás) Me preocupa um pouquinho saber que daqui a alguns meses, seremos eu e a Isa a sofrermos essas mesmas saudades, etc... Mas seremos fortes, apoiaremos uma a outra e viveremos tudo intensamente, porque é isso que essa experiência pede! em cada passo do caminho, intensidade!

Eu continuo te desejando as melhores experiências do mundo! porque você, mesmo sem saber 100% ou talvez sabendo um pouco, contribuiu pra que a minha experiência seja maravilhosa! primeiro ao me mostrar como a holanda é, senão, o melhor destino pra esse intercâmbio, ao me indicar a HBN, ao me apresentar a Isa (que é uma fofíssima, como já te disse, e eu não poderia estar mais feliz por ter ela não pertinho nesse ano maravilhoso) e também, por me alertar (também através dos seus posts no blog), as dificuldades que uma au pair vive (saudade, dinheiro curto, a paciência com as kids e a nova rotina, enfim.. toda a adaptação que, as vezes, pode ser meio difícil).

eu te desejo, sinceramente, outras mil experiências tão maravilhosas e enriquecedoras como essa! você merece tudo isso e muito mais, por ser tão gentil, paciente e querida! sempre vendo o melhor nos outros, mesmo quando a gente mesmo não vê. =D

Joy disse...

oh Deh, você foi se aventurar por ai através de qual agência?

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