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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


Na viagem à Paris fui pega de surpresa com o primeiro Christmas Market da minha vida. Estávamos andando pela Champs Elysees e eu já estava maravilhada o suficiente, quando a rua se encheu de luzinhas e barraquinhas. E, claro, churros. Todo mundo que passava por mim, carregava um pacotinho com doces: waffles, churros, algodão doce, crepes, maçã do amor. Foi mais que suficiente pra ganhar meu coração.

Daí para frente, descobri que os mercados de Natal são tradicionais aqui na Europa. Tem pra todo canto. E é divertido, porque cada um tem sua características. Alguns são super famosos e recebem turistas que vão até a cidade especialmente para sentir o clima natalino, como é o caso de Maastricht, aqui na Holanda, e Dusseldorf, na Alemanha. Alguns são mais divertidos e criativos e vendem todo tipo de buginganga e coisinhas criativas. Soube de mercados exclusivos de produtos orgânicos, outro exclusivos de flores e decorações para o Natal, e enfim, descobri que no fundo é uma desculpa para o pessoal montar uma feirinha mesmo.

Como não sou boba nem nada, resolvi botar minhas botas pra trabalhar e fui ver de perto o KerstMarkt (em holandês) de Maastricht. A cidade é a mais longe que eu poderia escolher dentro da Holandinha, o extremo sul do país, e fica a nada mais nada menos do que três horas (de trem!) da minha - já que eu moro no norte do país. Ainda no caminho percebi que a coisa não era brincadeira: o trem vinha tão cheio que fizemos quase o trajeto todo em pé ou sentados nas escadinhas entre os vagões. 

Eu tinha me preparado toda com mapas e anotações pra não errar o caminho da estação para o mercado, que fica na Vrijthof, a praça principal da cidade (que é bem grandinha, diga-se de passagem). Mas não precisei. Sabe aquela coisa de efeito boiada, de que é só seguir o fluxo da multidão? Pois então! Todo o caminho até a praça já transpirava Natal: as luzes, árvores, presentinhos decorando postes e até mesmo as lojas comuns, todas tocavam aquelas típicas canções natalinas que grudam nos ouvidos da gente. Numa dessas, assistimos até um coral natalino que cantava dentro de uma livraria. (Vale a pena ver umas fotos aqui!)

O KerstMarkt de Maastricht desapontou no quesito compras. Tínhamos deixado alguns presentes para comprar lá, mas foi em vão, porque quase não se viam banquinhas legais de fato. Em compensação, tinha pista de patinação no gelo (um abraço aqui para os que, assim como eu, não tem o menor talento), roda gigante, brinquedos pra criança pequena e criança grande que nem a gente, uma decoração linda e comidinhas tudo-de-bom (waffles com calda de cereja: te-quero-pra-sempre!).

No fim, eu só contei isso tudo para dizer que, finalmente, o Natal me pegou. Sempre fui dessas chatas que não curte muito as festas de fim de ano e que sempre arruma um motivo pra reclamar. Algumas vezes eu até tive os motivos, outras não e reclamei mesmo assim. Sempre detestei com todas as minhas forças essas canções natalinas. Acho que seria capaz de enforcar a Simone e o Ivan Lins ou quem mais me resolvesse cantar aquilo. Morria de raiva das luzinhas no prédio da frente que iluminavam meu quarto e me atrapalhavam a dormir. Tive alguns natais maravilhosos, claro, e isso aconteceu unicamente porque eu tenho uma família maravilhosa. Mas, mesmo assim, a minha implicância não passava.

Dessa vez, preciso admitir que passou. Os enfeites da árvore de Natal da minha casa são de chocolate e foram escolhidos a dedo por uma criança que nem sabe pra quê que isso serve, mas que ficou feliz mesmo assim. Apesar do inverno, Bussum e todos os lugares por que passei nos últimos dias se encheram de cor e alegria enfeitados de luzinhas e árvores de Natal (ah, elas são naturais, é importante explicar!) e eu pude, finalmente, oferecer meus sorrisos todos pra elas. 

Acho que mudei de ideia sobre o Natal. E talvez seja porque os bons motivos pra se ter um feliz Natal estão (quase) todos longe de mim. A saudade abre o coração da gente.

 

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