quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Uma das primeiras coisas que a gente lembra quando fala da Holanda é a bicicleta. Aliás, as bicicletas, porque são milhares delas. O país tem a maior taxa de ciclistas por habitante do mundo, é um dos lugares mais seguros para se pedalar e tem também o maior número de ciclovias por quilômetro quadrado. (Para saber mais, veja aqui!)

As pessoas nascem sabendo andar de bicicleta por aqui, ou quase isso. Meu menininho, o Lucas, ainda não tem 3 anos e já vive correndo por aí numa mini-bike. Por conta disso, os adultos adquirem uma capacidade ímpar e invejável: eles são capazes de segurar um copo de chá em uma mão, enviar um sms com a outra, carregar uma criança (ou quantas forem) no banco de trás e uma sacola imensa na cestinha da frente. É sério isso, juro que não estou exagerando em nada.

A esperta aqui resolveu desenferrujar a bicicleta quando decidiu vir pra cá. Andei umas três vezes e achei que estava arrasando: “é como andar de bicicleta, a gente nunca esquece!”. Só que não.

Em menos de uma semana: dei um bolo em outra au pair porque estava “presa” dentro de casa; acordei a host depois das 23h porque não conseguia abrir a porta e estava "presa" fora de casa; cai no meio da rua em Amsterdam com carrinho de bebê e tudo dentro (inclusive o bebê!). Mas nada – eu disse nada! – se compara às bicicletas.

A primeira tentativa foi no domingo à noite. Sim, noite. Estava escuro e frio quando eu resolvi sair com a bike pela primeira vez. A mesma au pair que eu tinha dado o bolo durante a tarde veio me buscar pra gente dar uma volta. Bom, era esse o plano. Mas eu passei uns dez ou quinze minutos na porta de casa tentando subir na minha linda bicicleta. Ela é um pouco alta para mim, mesmo já estando ajustada na menor altura, e, além disso, as bikes aqui não têm freio. E eu sou dessas que já sobe com a mão no freio, de tão medrosa. Para freiar aqui, é preciso pedalar para trás – e a minha sorte foi que a Talita avisou isso em tempo. Quando eu, finalmente, consegui ficar em cima da bike, eu sabia que nunca mais poderia descer dali.

Acabei descendo, claro, mas de uma forma não muito elegante, eu diria. Tivemos que parar em um sinal vermelho e lá fomos nós para outros longos minutos até que eu conseguisse subir de novo...

E como nada é tão ruim que não possa piorar, na volta para casa eu não consegui trancar a bike. O sistema é o seguinte: você coloca a chave na bike para ela andar e a chavinha fica lá. Quando é hora de trancá-la, você precisar tirar a tal chave de lá (e, por favor, leve com você). Mas eu, absolutamente não conseguia. Tinha uma manha de apertar um botãozinho até o final, só que ninguém teve a caridade de me avisar isso. Ou seja, fiquei outros 20 minutos parada sozinha na porta de casa, num frio ainda pior, até sentei na calçada para ver se pensava melhor. Resolvi colocar a bike pra dentro com chave e tudo e rezar para todos os meus santos brasileiros não deixarem acontecer nada.

Foi exatamente aí que eu resolvi entrar em casa e também não consegui abrir a porta e acabei acordando a host e blablablá.

No dia em que fui andar com a host e as crianças, as coisas foram um pouco melhores, mas até a bakfiets (que eles consideram a coisa mais fácil do mundo) me fez trombar na calçada e coisas assim. Stupid me! Eu não tenho mesmo muito talento para isso, é fato. A parte bonitinha foi o menininho acenando pra mim lá da frente e gritando: Go, Dora, gooo! Fiz os hosts me zoarem muito e acabei ganhando o dia.

7 comentários:

Arthur disse...

Saudade das bikes da Holanda :D

Esse tipo de bike que você usa tem o sistemas de freio que se chama "contrapedal", ou footbreaks. É possível instalar freios, mas perde o charme. Existem as bicicletas de roda fixa, onde o pedal ta sempre girando enquanto a roda gira. Se vc pedala pra tras, a roda gira pra trás. Essa nao tem jeito, tem q controlar na pedalada!

esse sisteminha de prender tambem me pegou na primeira vez. O cara na loja mostrou como se fosse a coisa mais simples hehehe.

Queria estar aí contigo. E logo voce se acostuma com a altura do banco. É legal vc esticar toda a perna na pedalada, pra fazer render.

Thamy Gibson disse...

Ri até chorar na primeira vez que li, ri até chorar na segunda vez que li e ri até chorar quando, na terceira vez, li pra minha mãe o seu relato. Mal chegou aí e já tem histórias incríveis pra guardar na memória e contar pra todo mundo aqui! E devo dizer que estou ficando com medo dos Transformers... quero dizer... bicicletas daí! Boa sorte com elas Déborah! :)

ana Lu disse...

aiai friend, muito boa essa história!
eu ainda tenho fé que vc vai conseguir andar de bike, sério mesmo!
é bom vc ir treinando pra me ensinar quando eu for te visitar x)

Nathalia Koslyk Pontes disse...

e eeeeu que não sei andar de bicilceta nem no Brasil, como vou sobreviver na Holanda? você me leva na garupa? hahahaha (me diverti como se estivesse ouvindo pela primeira vez). Está lindo seu blog, hermanita!! beijoooooo, saudades!

Obs: como assim a Aninha vai te visitar também e não me conta nada?

deh gouthier; disse...

toooodos vem me visitar :))
só as bikes não me amam. ahahha..

Laysa disse...

Nice post Deborah! I hope your next days will be better <3 hugs and love

Lucas Garcia disse...

O Arthur cientista como sempre e a Nana ainda escrevendo o nome dela estilizando na alternância de maiúsculas e minúsculas, como na adolescência! Hahaha.
Mas agora vc tem uma bicicleta nooova! x)

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