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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Eu poderia fazer um post lindo e emotivo falando do último final de semana em Paris (calma, ele virá). Eu poderia falar sobre o amor, sobre o tempo, sobre a comida, ou sobre remédios e consolos infantis. Eu poderia até mesmo nem falar nada, mas hoje foi preciso.

Meu primeiro mês de Holanda foi comemorado logo cedo, por volta das oito da manhã. Um pequenino loiro e sonolento me presenteou, meio a contragosto, e com o sorriso escondido mais gostoso da vida.

Não é sempre fácil. A saudade aperta a cada segundo, tudo é lembrança do Brasil e de cada uma das pessoas maravilhosas que me preenchem os dias. E passou-se só um mês. Seja sempre bem vinda, vida.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012


As coisas aconteceram tão depressa, que eu até levei puxão de orelha por não ter postado mais. O dia aqui não tem 24h, é a única explicação. O tempo passa numa velocidade ímpar e pam! Já é novembro e hoje, exatamente, completo duas semanas fora do Brasil.

Na primeira semana, a host-querida estava de folga, então ficou comigo o tempo todo. Por um lado é bacana, porque eu pude ver e aprender várias coisas (tudo, eu diria). Por outro lado é complicado, porque não é a rotina real e as crianças ficam meio arredias. Afinal, com a mãe por perto, quem vai querer brincar com a novata?! Então, digamos, que a vida real foi mesmo essa semana.

Antes que todo mundo se lembre das minhas lambanças, já adianto que deu tudo certo no final. Eles são uns queridinhos. O Lucas dá um pouco de canseira, mas dentro do normal. E acho até que ele já captou qual é a minha cara de: é sério, não tô brincando. As confusões por conta da língua são constantes, mas a gente se adapta (tá aí uma coisa que sempre me perguntam). Já até recebi um elogio, porque estou pegando a manha do holandês bem rápido. Mas não é assim, um holandêêês, é aquela linguagem de criança: nome de animais, brinquedos, muito bem!, parabéns!, durma bem!, etc etc.

Hoje, por exemplo, meu menininho pediu: “iego, iego!” E eu logo pensei: “Ah, que ótimo, está querendo brincar de Lego” (o principal brinquedo das crianças por aqui, e ao qual, normalmente, ele chama de bouwen – leia-se: bauén, que é o mesmo que construir). Só que não, claro. Ele não queria o Lego, mas estava tentando dizer Diego, que é o desenho que ele adora. Acontece que eles tem hora certa de ver TV e aquela não era a tal hora. Mas sem entender, a sonsa aqui concordou: “Isso aí, vamos lá”. Ele ficou todo desapontado quando percebeu que, na verdade, não ia ver o desenho e eu fiquei uns bons minutos vendo o pobrezinho chorar até entender o erro.

No mais, ele se comporta e é fácil de distrair quando está chateado com alguma coisa. Ele falou “please” pra mim essa semana e eu quase morri de amor, porque ele não fala inglês ainda. Mas só de me ouvir falar já entendeu e repetiu. Outra coisa muito pestinha que ele faz é na hora de comer. Ele come bem o dia inteiro, menos no jantar, porque não gosta muito de comida quente (vai entender!). E o avô ensinou que só pode comer mais depois de engolir o que está na boca. Bom... isso se tornou um problema. O recorde dessa semana foram 25 minutos mastigando - a gente marcou!

Já a pequena Valentine é meu chicletinho. Ela é tão pequenininha e linda e rosa, que não dá vontade de soltar mais (minhas costas já reclamam, by the way). A questão é que ela ficou mega doentinha essa semana (desculpem, mas ela pede os diminutivos). Super gripada, com febre, tossindo, uma judiação. E aí o trabalho triplicou, claro. Já estou mestre em fazer as coisas com uma mão só, porque uma delas sempre está tentando segurar a princess. Hoje consegui acalmá-la e fazê-la dormir, magicamente, nas escadas. Sentei no degrau, encostei na parede e deixei aquela coisinha rosa deitada em mim até ficar bem quentinha e dormir. E ela chora um choro doído de partir o coração da gente em mil pedaços.

Bom, quanto a mim, também estou doente, claro. Desde que cheguei, pra falar a verdade. Primeiro foi só tosse, depois fiquei totalmente rouca e sem voz (mesmo, de ter que fazer mímica!), depois resfriei de fato. A notícia boa é que eles dizem que está todo mundo assim. A ruim é que uma das outras au pairs disse que ela está seeempre doente, porque nosso corpo tropicaliente num acostuma nunca com o clima daqui. (que-bom!)

Também perdi a aula de holandês de novo. A segunda-feira foi meu primeiro dia e foi meio confuso, os hosts se atrasaram, eu estava doente, e acabei me esquecendo e perdendo a hora. Agora já são 4 aulas a menos, ou seja: estou lascada. Ah, e por falar nisso... Agora não vou mais ser a pior ciclista de Bussum, porque os melhores-hosts-do-mundo me deram uma bike nova. Ela é de segunda mão, mas está inteirona e o melhor: é do meu tamanho e tem freio de mão! (aplausos aqui, por favor) Eu parecia criança no dia que eles chegaram aqui com ela e eu consegui subir de primeira, sem cair nem meia vez (mais aplausos).

Sobrevivi à primeira semana, e por isso, acho que sobrevivo ao resto do ano!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quatro dias em um lugar novo, uma língua nova, uma família nova. Com tudo novo assim, já me parece um mês. Acho que decidi fazer o blog mesmo principalmente por causa desses quatro dias, porque aconteceram tantas coisas que... bem, vamos começar pelo começo.

Com um voo de mais de 10 horas, cheguei no aeroporto de Amsterdam no último sábado, dia 19. Depois de uma meia hora para apresentar o passaporte e pegar as malas, desembarquei já suando como uma lady. Para compensar, a primeira coisa que vi do outro lado do portão foi a minha host Noor com a neném Valentine. Elas abriram um sorrisão ao me ver e eu só conseguia pensar em quão alta ela era. Nesse meio tempo, vieram também o host Thjis e o menininho mais loiro da minha vida, o Lucas. Eles tinham comprado um balão de boas vindas e flores pra me receber, uns fofos. (*ps: aprendam os nomes para facilitar meu trabalho, obrigada!)

Do aeroporto fomos pra casa, em Bussum. A cidade é bem pequenininha e fica bem perto de Amsterdam, coisa de 15 minutos de carro. Parece uma cidade de boneca, com as casinhas parecidas, crianças brincando nas ruas e, claro, bikes! Dezenas delas... Outra coisa que super vale ressaltar é o outono. Sim goianos, o outono existe e é uma coisa linda de se ver. O Thjis me zoou bastante porque eu fico tirando fotos das árvores, mas não dá pra me controlar. É uma mistura de amarelo, laranja, marrom e verde, as folhas caídas no chão, tudo lindo.

Meu quarto também é lindo, por falar nisso. Espaçoso, confortável e decorado especialmente para mim. Com porta retratos, flores, luminárias e uma cama que dá vontade de ficar pra sempre. No mais, a casa é relativamente simples. Isso é uma coisa engraçada por aqui, porque eles realmente não se importam em demonstrar a riqueza. Não tem essa competição de quem tem o carro mais bonito ou a casa maior, como no Brasil.

Os hosts são definitivamente uns queridos. O Thjis é um fanfarrão, faz piada toda hora e está sempre de bom humor, mesmo estando meio gripado desde que cheguei. Ele trabalha muito, então curte as crianças ao máximo quando está por aqui. Já a Noor, bom, ela é muito mãe. Super tranquila, tenta fazer tudo pra que meu tempo aqui seja o mais agradável possível. Ela tirou essa semana de folga pra ficar comigo, então eu estou podendo observar e aprender tudo. Ela conversa muito comigo, quer saber dos meus amigos e família no Brasil, toda bonitinha, e é também muuuito paciente por aguentar todas as minhas pequenas dúvidas.

As crianças... O Lucas tem 2 anos e a Valentine tem 5 meses. Ela sorri o tempo todo, quase não chora, é uma preguiçosinha e já está no maior dengo comigo. Participei da sua primeira “degustação de papinha”, e ela é tão boazinha que nem estranhou! Já ele ainda me evita um pouco, pede pela mãe, faz uma birrinha aqui ou acolá, mas acho que seremos grandes amigos. Ele não fala inglês ainda, então isso dificulta um pouco, já que minha conversa com ele é quase uma adivinhação. Mas temos nossos momentos:

- o primeiro dia foi o mais difícil, ele não queria mesmo saber de mim. Saía correndo, só dizia não, não, não. Maaas, na hora que eu ia para o meu quarto pra dormir, só ouvi ele perguntando alguma coisa para a mãe e ela saiu correndo atrás de mim. É que ele queria me dar um beijinho de boa noite <3

- os hosts tentaram ensiná-lo a falar meu nome e deram várias opções: Deh, Debra, Déborah, enfim. E ele só dizia que não, não, não. Numa outra hora, espontaneamente, ele disse: Papa, Mama, Tine, Lucas en Dora! Então, a partir daí, eu sou a Dôôra. Os pais até tentaram corrigir, mas foi tão bonitinho que até eles já me chamam assim. Dora é o desenho preferido dele e o nome da minha avó.

Tem como não morrer de amor?
 

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