As coisas aconteceram tão depressa, que eu até levei puxão
de orelha por não ter postado mais. O dia aqui não tem 24h, é a única
explicação. O tempo passa numa velocidade ímpar e pam! Já é novembro e hoje,
exatamente, completo duas semanas fora do Brasil.
Na primeira semana, a host-querida estava de folga, então
ficou comigo o tempo todo. Por um lado é bacana, porque eu pude ver e aprender
várias coisas (tudo, eu diria). Por outro lado é complicado, porque não é a
rotina real e as crianças ficam meio arredias. Afinal, com a mãe por perto, quem
vai querer brincar com a novata?! Então, digamos, que a vida real foi mesmo
essa semana.
Antes que todo mundo se lembre das minhas lambanças, já
adianto que deu tudo certo no final. Eles são uns queridinhos. O Lucas dá um pouco
de canseira, mas dentro do normal. E acho até que ele já captou qual é a minha
cara de: é sério, não tô brincando. As confusões por conta da língua são
constantes, mas a gente se adapta (tá aí uma coisa que sempre me perguntam). Já
até recebi um elogio, porque estou pegando a manha do holandês bem rápido. Mas
não é assim, um holandêêês, é aquela linguagem de criança: nome de animais,
brinquedos, muito bem!, parabéns!, durma bem!, etc etc.
Hoje, por exemplo, meu menininho pediu: “iego, iego!” E eu
logo pensei: “Ah, que ótimo, está querendo brincar de Lego” (o principal
brinquedo das crianças por aqui, e ao qual, normalmente, ele chama de bouwen –
leia-se: bauén, que é o mesmo que construir). Só que não, claro. Ele não queria
o Lego, mas estava tentando dizer Diego, que é o desenho que ele adora. Acontece
que eles tem hora certa de ver TV e aquela não era a tal hora. Mas sem
entender, a sonsa aqui concordou: “Isso aí, vamos lá”. Ele ficou todo desapontado
quando percebeu que, na verdade, não ia ver o desenho e eu fiquei uns bons
minutos vendo o pobrezinho chorar até entender o erro.
No mais, ele se comporta e é fácil de distrair quando está
chateado com alguma coisa. Ele falou “please” pra mim essa semana e eu quase
morri de amor, porque ele não fala inglês ainda. Mas só de me ouvir falar já
entendeu e repetiu. Outra coisa muito pestinha que ele faz é na hora de comer.
Ele come bem o dia inteiro, menos no jantar, porque não gosta muito de comida
quente (vai entender!). E o avô ensinou que só pode comer mais depois de
engolir o que está na boca. Bom... isso se tornou um problema. O recorde dessa
semana foram 25 minutos mastigando - a gente marcou!

Já a pequena Valentine é meu chicletinho. Ela é tão pequenininha
e linda e rosa, que não dá vontade de soltar mais (minhas costas já reclamam,
by the way). A questão é que ela ficou mega doentinha essa semana (desculpem,
mas ela pede os diminutivos). Super gripada, com febre, tossindo, uma judiação.
E aí o trabalho triplicou, claro. Já estou mestre em fazer as coisas com uma
mão só, porque uma delas sempre está tentando segurar a princess. Hoje consegui
acalmá-la e fazê-la dormir, magicamente, nas escadas. Sentei no degrau,
encostei na parede e deixei aquela coisinha rosa deitada em mim até ficar bem
quentinha e dormir. E ela chora um choro doído de partir o coração da gente em
mil pedaços.
Bom, quanto a mim, também estou doente, claro. Desde que
cheguei, pra falar a verdade. Primeiro foi só tosse, depois fiquei totalmente
rouca e sem voz (mesmo, de ter que fazer mímica!), depois resfriei de fato. A
notícia boa é que eles dizem que está todo mundo assim. A ruim é que uma das
outras au pairs disse que ela está seeempre doente, porque nosso corpo
tropicaliente num acostuma nunca com o clima daqui. (que-bom!)
Também perdi a aula de holandês de novo. A segunda-feira foi
meu primeiro dia e foi meio confuso, os hosts se atrasaram, eu estava doente, e
acabei me esquecendo e perdendo a hora. Agora já são 4 aulas a menos, ou seja:
estou lascada. Ah, e por falar nisso... Agora não vou mais ser a pior ciclista
de Bussum, porque os melhores-hosts-do-mundo me deram uma bike nova. Ela é de
segunda mão, mas está inteirona e o melhor: é do meu tamanho e tem freio de
mão! (aplausos aqui, por favor) Eu parecia criança no dia que eles chegaram
aqui com ela e eu consegui subir de primeira, sem cair nem meia vez (mais aplausos).
Sobrevivi à primeira semana, e por isso, acho que sobrevivo
ao resto do ano!